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Mostrando postagens com o rótulo Fernando Pessoa

Íntimos caminhos

"Somos quem não somos e a vida é pronta e triste. Quantos somos! Quantos nos enganamos! Que mares soam em nós... pelas praias que nos sentimos nos alagamentos da emoção!...Quem sabe sequer o que pensa ou o que deseja? Quem sabe o que é para si - mesmo?" (fragmento de LIVRO DO DESASSOSSEGO -1914- BERNARDO SOARES ) Bernardo Soares foi um tipo particular dentre os heterônimos do enigmático e extraordinário poeta português Fernando Pessoa. O que interessa na prosa fragmentária que Bernardo Soares desenvolve é a dramaticidade das reflexões humanas que vêm à tona, à beira do tédio, do trágico. Por essa razão, diversos fragmentos do livro são investigações íntimas das sensações provocadas pelo anonimato, pela cotidianeidade e todo o pragmatismo da vida comum. Estudiosos discutem por que Fernando Pessoa teria criado seus heterônimos. Seria esquizofrenia? Psicografia? Uma forma de expôr seus sentimentos? Distúrbio de Personalidade? De certo, sabemos que sua genialidade é grande

Caminhos e Atitudes da Vida

  "Tudo quanto de desagradável nos sucede na vida - figuras ridículas que fazemos, maus gestos que temos, lapsos em que caímos de qualquer das vir­tudes - deve ser considerado como meros acidentes externos, impotentes para atingir a substância da alma.  Tenhamo-los como dores de dentes, ou calos da vida, coisas que nos incomodam mas são externas ainda que nossas, ou que só tem que supor a nossa existência orgânica ou que preocupar-se o que há de vital em nós. Quando atingimos esta atitude, que é, em outro modo, a dos místicos, estamos defendidos não só do mundo mas de nós mesmos, pois vencemos o que em nós é externo, é outrem, é o contrário de nós e por isso o nosso inimigo. Disse Horácio, falando do varão justo, que ficaria impávido ainda que em torno dele ruísse o mundo.  A imagem é absurda, justo o seu sentido. Ainda que em torno de nós rua o que fingimos que somos, porque coexistimos, devemos ficar impávidos - não porque sejamos justos, mas porque somos nós, e sermos nós

Tempo de travessia

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas e esquecer os caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Fernando Pessoa

Esta Velha

Fernando Pessoa e heterônimos "Esta velha angústia, Esta angústia que trago há séculos em mim, Transbordou da vasilha, Em lágrimas, em grandes imaginações, Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror, Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum. Transbordou. Mal sei como conduzir-me na vida Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma! Se ao menos endoidecesse deveras! Mas não: é este estar entre, Este quase, Este poder ser que..., Isto. Um internado num manicômio é, ao menos, alguém, Eu sou um internado num manicômio sem manicômio. Estou doido a frio, Estou lúcido e louco, Estou alheio a tudo e igual a todos: Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura Porque não são sonhos. Estou assim... Pobre velha casa da minha infância perdida! Quem te diria que eu me desacolhesse tanto! Que é do teu menino? Está maluco. Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provincian

Tenho tanto Sentimento

"Tenho tanto sentimento Que é freqüente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal. Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a errada. Qual porém é a verdadeira E qual errada, ninguém Nos saberá explicar; E vivemos de maneira Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar." Fernando Pessoa

Dentro da mente

"Como é por dentro outra pessoa? Quem é que o saberá sonhar? A alma de outrem é outro universo Com que não há comunicação possível, com que não há verdadeiro entendimento. Nada sabemos da almaSenão da nossa; As dos outros são olhares, são gestos, são palavras, com a suposição de qualquer semelhança no fundo." Fernando pessoa

Qual é sua máscara?

"Do mesmo modo que os atores põem uma máscara, para que a vergonha não se reflita nos seus rostos, assim entro eu no teatro do mundo - emascarado." René Descartes A máscara A primeira máscara da qual se tem registro está gravada na caverna labirinto de Trois Feres, em Ariege, nos Pirineus, descoberta em 20 de julho de 1914. A imagem rupestre do feiticeiro barbudo, cujas pernas são humanas e braços de urso, como um xamã antropozoomórfico, usava uma máscara de cervo, presidindo um ritual de cura e caça, associado à fertilidade. O termo máscara tem origem controversa, pois para alguns procede do italiano maschera. Originalmente estaria relacionada ao baixo latim mediterrâneo masca, significando “demônio, bruxa ou feiticeira”. Para outros o termo introduziu-se na Itália a partir de invasões árabes, sendo corruptela de mashara, significando “personagem bufão”, derivado do verbo sahir, que quer dizer “ridicularizar”. A função religiosa, na África, por exemplo, presidindo

A Alma Humana

"A alma humana é um manicômio de caricaturas.... Se uma alma pudesse revelar-se com verdade e nem houvesse um pudor mais profundo que todas as vergonhas conhecidas, definidas seria, como dizem, da verdade o poço. Mas um poço sinistro, cheio de ecos vagos, habitado por vidas ignóbeis, viscosidades sem vida, lesmas sem ser. Ranho da subjetividade. Eis a alma." Fernando Pessoa

FELICIDADE

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..." FERNANDO PESSOA

Pura inspiração

Fernando Pessoa Paisagens, quero-as comigo. Paisagens, quero-as comigo. Paisagens, quadros que são... Ondular louro do trigo, Faróis de sóis que sigo, Céu mau, juncos, solidão... Umas pela mão de Deus, Outras pelas mãos das fadas, Outras por acasos meus, Outras por lembranças dadas... Paisagens... Recordações, Porque até o que se vê Com primeiras impressões Algures foi o que é, No ciclo das sensações. Paisagens... Enfim, o teor Da que está aqui é a rua Onde ao sol bom do torpor Que na alma se me insinua Não vejo nada melhor.

Em busca da felicidade

Se há uma coisa da qual estamos convencidos agora, é que somos criaturas em busca de prazer que querem minimizar a dor e a frustração em nossas vidas. Nós somos criaturas que, talvez diferente de qualquer outro animal, buscam a felicidade. Mas felizmente, e infelizmente, a outra coisa que sabemos é que o prazer, como a felicidade, não é tão simples como gostaríamos que fosse.Discussões sobre o que torna uma vida boa, e se a virtude pode ser ensinada, são tão antigas quanto a investigação humana esclarecida. Mas precisamos ter alguma idéia do que a busca pela felicidade se trata; se a felicidade pode mudar uma pessoa e o que a frase muito apreciada, "faça alguém feliz", pode significar. Se a pergunta original de Platão- foi "a virtude pode ser ensinada?", e ela se tornou "a felicidade pode ser ensinada?", nós poderíamos nos perguntar qual seria a diferença entre tentar tornar as pessoas boas e tentar torná-las felizes? Uma das diferenças mais óbvias é qu