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Mostrando postagens com o rótulo Álvaro de Campos

Perseverare

Adebayo sentia-se infeliz. Reclamava constantemente da infelicidade que tomava conta de seus dias. " Não sou triste. Sou uma pessoa infeliz. Nada me satisfaz ou faz graça". Já passou por tantos fracassos e tantas desilusões que não acredita em seu potencial. Nunca conseguiu nada que tenha almejado, pessoal, profissional ou socialmente. Perdeu a noção de quantas vezes sonhou e viu tudo desmoronar. Sempre construiu castelos que ruiram, um após outro. Tornou-se um descrente de si mesmo. Vivia perdido em devaneios de auto-comiseração e intitulava-se flagelado na alma. Seu discurso fazia lembrar o poema de Álvaro de Campos , " Passagem das Horas ": "Trago dentro do meu coração,  Todos os lugares onde estive,  Todos os portos a que cheguei,  Todas as paisagens que vi... E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero..... ....Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,  Porque, por mais que sentisse,

Esta Velha

Fernando Pessoa e heterônimos "Esta velha angústia, Esta angústia que trago há séculos em mim, Transbordou da vasilha, Em lágrimas, em grandes imaginações, Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror, Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum. Transbordou. Mal sei como conduzir-me na vida Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma! Se ao menos endoidecesse deveras! Mas não: é este estar entre, Este quase, Este poder ser que..., Isto. Um internado num manicômio é, ao menos, alguém, Eu sou um internado num manicômio sem manicômio. Estou doido a frio, Estou lúcido e louco, Estou alheio a tudo e igual a todos: Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura Porque não são sonhos. Estou assim... Pobre velha casa da minha infância perdida! Quem te diria que eu me desacolhesse tanto! Que é do teu menino? Está maluco. Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provincian