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Mostrando postagens de Outubro 4, 2009

Quem tem juízo?

O mais esperto dos homens é aquele que, pelo menos no meu parecer, espontaneamente, uma vez por mês, no mínimo, chama a si mesmo asno..., coisa que hoje em dia constitui uma raridade inaudita. Outrora dizia-se do burro, pelo menos uma vez por ano, que ele o era, de fato; mas hoje... nada disso. E a tal ponto tudo hoje está mudado que, valha-me Deus!, não há maneira certa de distinguirmos o homem de talento do imbecil. Coisa que, naturalmente, obedece a um propósito. Acabo de me lembrar, a propósito, de uma anedota espanhola. Coisa de dois séculos e meio passados dizia-se em Espanha, quando os Franceses construíram o primeiro manicómio:  «Fecharam num lugar à parte todos os seus doidos para nos fazerem acreditar que têm juízo».  Os Espanhóis têm razão: quando fechamos os outros num manicômio, pretendemos demonstrar que estamos em nosso perfeito juízo. «X endoideceu...; portanto nós temos o nosso juízo no seu lugar».  Não; há tempos já que a conclusão não é lícita. Fiodor Dos

Revoada

"Somos donos de nossos atos, mas não donos de nossos sentimentos; Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos; Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos... Atos sao pássaros engailoados, sentimentos são passaros em vôo" -- Mário Quintana

A imensa alegria de servir

Toda natureza é um anelo de serviço. Serve a nuvem, serve o vento, serve o sulco. Onde houver uma arvore para plantar, planta-a tu; onde houver um erro para corrigir, corrige-o tu; onde houver uma tarefa que todos recusem, aceita-a tu. Sê quem tira a pedra do caminho, o ódio dos corações e as dificuldades dos problemas. Há a alegria de ser sincero e de ser justo; há, porém, mais que isso, a imensa alegria de servir. Como seria triste o mundo se tudo já estivesse feito, se não houvesse uma roseira para plantar, uma iniciativa para lutar! Não te seduzam as obras as obras fáceis. É belo fazer tudo que os outros se recusam a executar. Não cometas, porém, o erro de pensar que só tem merecimento executar as grandes obras; há pequenos préstimos que são bons serviços: enfeitar uma mesa. arrumar uns livros. pentear uma criança. Aquele é quem critica, este é quem destrói, sê tu quem serve. O servir não é próprio dos seres inferiores: Deus, que nos

A intensa intenção de ser

“ Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar.  Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Cora Coralina

A Luz que há em nós

 Chegou o dia em que o fósforo disse à vela: -- Eu tenho a tarefa de acender-te. Assustada a vela respondeu: -- Não, isto não! Se eu estou acesa, então os meus dias estão contados. Ninguém vai mais admirar a minha beleza. O fósforo perguntou: -- Tu preferes passar a vida inteira, inerte e sozinha, Sem ter experimentado a vida? -- Mas queimar dói e consome as minhas forças, sussurrou a vela insegura e apavorada. -- É verdade, - respondeu o fósforo - Mas é este o segredo da nossa vocação. Nós somos chamados para ser luz! O que eu posso fazer é pouco. Se não te acender, eu perco o sentido da minha vida. Eu existo para acender o fogo. Tu és uma vela: tu existes para iluminar os outros, para aquecer. Tudo o que tu ofereceres através da dor, do sofrimento e do seu empenho será transformado em luz.. Tu não te acabarás consumindo-te pelos outros. Outros passarão o teu fogo adiante. Só quando tu te recusares, então morrerás! Em seguida, a vela afinou o seu pavio e diss

Cada um na sua concha

Um pequeno caracol que vivia perto do oceano notou com inveja a grande e bonita concha em que a lagosta vivia. -- Que maravilhoso palácio a lagosta carrega em suas costas! Eu desejaria viver em seu lugar -- lamentou o pequeno caracol. -- Oh, como meus amigos me admirariam nesta concha! De repente, algo aconteceu. O invejoso caracol viu a lagosta deixar sua concha para desenvolver-se em outra, maior. Ao ver a concha da lagosta, vazia e abandonada na praia, o caracol pensou: -- Agora meu desejo será realizado. E ele proclamou a todos os seus amigos que agora iria morar em um majestoso palácio. Os pássaros e os animais então assistiram o caracol soltar-se de sua pequena concha e orgulhosamente rastejar para a concha da lagosta. Ele soprou, bufou, tornou a soprar até perder o fôlego esforçando-se para adaptar-se à nova concha. De nada adiantou porque era muito pequeno para ajustar-se dentro da concha da lagosta. Ele só parou de tentar quando se viu completamente exausto. A