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Psiquiatria - Doenças invisíveis e desacreditadas

As definições de saúde e doença variam entre indivíduos, grupos culturais e classes sociais. A saúde significa mais que apenas a ausência de sintomas desagradáveis. A definição mais conhecida é a da Organização Mundial de Saúde: “um estado de completo bem estar físico, mental e social, e não simplesmente a mera ausência de doença ou enfermidade.”
O processo de autodefinição como doente é baseado nas percepções de cada um, nas percepções de outrem ou de ambas. A maior parte das pessoas pode experimentar um ou mais sintomas anômalos em algum momento de sua vida diária, geralmente de forma branda, e menos de 20% procuram consulta médica. Geralmente, é fácil classificar alguém como doente quando os sinais e sintomas são claros e objetivos: um braço engessado, uma perna com ferida, um indivíduo vomitando ou sangrando. Contudo, difícil é saber o que se passa na mente de um Ser humano, já que não se pode ler seus pensamentos, ver suas aflições, seus medos, insegurança e insatisfações. Isso é o que torna a psiquiatria uma especialidade médica de doenças invisíveis.
Apenas quem sente a dor de uma DEPRESSÃO, a inquietude de uma ANSIEDADE, os pavores de um SURTO PSICÓTICO, a sensação de morte de uma crise de PÂNICO e tantos outros sintomas de tantas doenças psiquiátricas, sabe o que sente e como é difícil ser acreditado ou valorizado.
Quem gosta de esportes e costuma acompanhar todas as modalidades sobre o assunto conhece a “corrida com obstáculos”, onde o esportista deve correr o mais velozmente possível, saltando sobre cavaletes dispostos ao longo do percurso a fim de alcançar a linha de chegada. Claro que, algumas vezes, o atleta pode acabar esbarrando no obstáculo e cair. Mas o verdadeiro atleta, em que há sempre aquele espírito de vitória, não desiste após um tropeço ou queda. Ele se levanta e continua o percurso, pois quer alcançar a linha de chegada.
A nossa vida é como uma corrida de obstáculos, na qual precisamos diariamente saltar sobre “cavaletes” que se dispõem no nosso caminho. Às vezes deparamo-nos com obstáculos, dificuldades e tropeçamos. Mas como reza o dito popular: “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.
Todos têm dificuldades, de todos os tipos e graus, sejam no trabalho, em casa, com um amigo, com um parente, com o marido ou a esposa, filhos...
Muitas pessoas quando se vêem diante de situações com as quais não conseguem lidar ou resolver, tornam-se angustiadas, tristes, sentindo-se sufocadas e desesperadas. Verdadeiramente sem rumo.
Seria normal, claro, ficar ansioso ou apreensivo diante de uma situação de perigo. Mas quando o que sentimos foge a um grau suportável, e passa a atrapalhar as atividades do cotidiano, seja no ambiente de trabalho, pessoal ou social, torna-se doença, e como tal devendo ser tratada. É o momento de procurar ajuda.
O que precisa haver, definitivamente, é a conscientização de que as doenças mentais são como doenças do coração, pulmões, rins, fígado, estômago ou ainda qualquer outra parte do nosso organismo, já que acometem uma parte de nosso corpo e, sendo assim, merecem a nossa atenção.
É preciso acabar com o estigma das doenças mentais. Que essas pessoas não sejam tratadas como mentirosas, fracas, covardes ou desocupadas. QUE SE ENTENDA QUE TRATAR DA MENTE É TRATAR DO CORPO

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